TMNT – As Tartarugas Ninja – opinião Legião dos Heróis

Pessoal…. eu queria MUITO ver esse filme. Poxa, a maioria de vocês ainda não me conhece direito, mas eu vivi bem a década de 80 e lembro como foi grande o impacto das Tartarugas Ninja, Splinter, April O´Neil e do Destruidor aqui no Brasil, então eu queria demais gostar desse filme….  é…. mas o Universo não queria isso, eu acho.

Esse filme foi produzido por Michael Bay, que é conhecido por pegar grandes propriedades da Década de 80 e tentar dar o seu olhar particular para elas. Antes houve Transformers, aquela sinfonia de barulho e fúria significando nada, e agora, posso dizer que Michael Bay conseguiu novamente! Um filme com uma quantidade além de absurda de destruição, explosões, câmera tremida nos momentos mais inapropriados e a …. atuação…. (Sério, preciso de rever a definição dessa palavra)…. primorosa…. (e dessa outra aqui também)…. da “queridinha” (OK, aí já é sacanagem) Megan Fox.
Falar desse filme sem dar spoilers pode ser uma das coisas mais difíceis, considerando tudo o que pode ser falado dele, mas como sempre, vamos tentar, mas antes de começar, eu tenho que dizer que essa vai ser uma das críticas mais esquizofrênicas que alguém pode falar de um filme, pois está claro que ele não é feito para agradar aqueles que gostavam das Tartarugas naquele tempo, oh, não! Ainda assim, ele PODE agradar os que não as conheciam, então é difícil encontrar um ponto de equilíbrio, então em uma tradição já consagrada pelo tempo, vamos fazer uma lista de prós e contras, depois de falar da história que liga cada batida de carro e explosão desse filme.
April O´Neil (Megan Fox, do alto do seu…. talento…. ) é a intrépida e ambiciosa repórter do Canal 6, e da pauta de cidades e reportagens rasas, quer tentar se tornar uma repórter investigativa, indo atrás da onda de crimes que assola a cidade de Nova York, cometidos pelo Clã do Pé (uma alusão ao Tentáculo, clã de ninjas da história do Demolidor, da Marvel, que no original é chamado a Mão).
As Tartarugas, treinadas pelo Mestre Splinter, resolvem entrar em ação mesmo sem a permissão de Splinter, e aí são vistas por April, que, depois de ser ridicularizada no seu canal e à frente de sua chefe (Whoopi Goldberg, em uma ponta genérica), então alista a ajuda de seu relutante cameraman, Vernon Fenwick (Will Arnett, nesse filme praticamente um clone mais alto do Bruce Wayne de Michael Keaton). As motivações de cada um são as mais óbvias. April quer provar que os vultos que ela viu em uma de suas investigações são reais, e Vernon quer April O’Neil.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, como se dizia, Eric Sacks, (em uma atuação convincente, mas quase preguiçosa de William Fichtner) tenta expandir os sistemas de segurança de Nova York para parar com os crimes do Clã do Pé, comandado pelo Destruidor (Tohoru Masamune, a única presença humana no filme com alguma importância), e sua comparsa Karai (Minae Noji). As motivações de Sacks são tão absurdas que fazem com que a história pareça mais vazia ainda.
Aqui acaba a parte onde eu falo da história do filme, pois farei de tudo para não dar spoilers, mas agora tenho também que falar sobre alguns aspectos mais técnicos, algo que eu já estava em mente desde que saí do cinema.
Como era de se esperar em uma aventura, o ritmo é realmente alucinante, desde uma sequência inicial que prometia um filme muito bom, e se estende em todas as cenas. Só que o diretor resolveu imprimir esse ritmo e movimentos de câmera (também conhecido como “Câmera Tremida”, um recurso usado e abusado em Transformers) a toda e qualquer cena, o que faz com que esse recurso canse rapidamente. Logo depois da sequência inicial, quando April faz sua primeira entrevista, a filmagem é toda feita assim, e isso era totalmente desnecessário, dado o teor da conversa.
As atuações se dividem agora em humanas e não-humanas, no caso, Splinter, as Tartarugas de CGI e o próprio Destruidor, que em muitos momentos foi substituído por um dublê digital. Antes de falar deles, paremos um pouco e analisemos a carreira da atriz, da lenda Megan Fox….
…. E… é isso aí, a “atuação” dela nesse filme é mais do mesmo, e o mesmo é terrível do começo ao final, então acho que dá para elogiar pelo menos a consistência dela, muito embora se fôssemos ser justos, ela bem que podia aprender a ter mais de três expressões. Ainda assim, festejemos. Poderia ser pior. Poderia ser a Kristen Stewart….
Will Arnett como Vernon Fenwick bem que tenta, mas aí o problema não é nem dele, pois já é conhecida a capacidade dele de ser um bom comediante, mas não dá para criar algo bom com um roteiro pífio, que é o que os roteiristas Josh Appelbaum, André Nemec e Evan Daugherty cometeram.
William Fichtner, Tohoru Masamune e Minae Noji são os únicos outros a terem participações mais importantes, e mesmo a ponta de Whoopi Goldberg como a chefe de April O’Neil ficou apagada no meio da avalanche visual que o diretor Jonathan Liebesman jogou sobre os espectadores.
Aqui cabe um parênteses sobre o diretor – Ele tem poucos créditos no seu nome, os mais conhecidos no Brasil são “Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles”, com o Duas-Caras dos filmes do Christopher Nolan, Aaron Eckhart, e “Fúria de Titãs 2″, com Sam Worthington, de Avatar, além da refilmagem do “Massacre da Serra Elétrica”. Com uma filmografia dessas, era de se esperar uma aventura, como se dizia, digna da “Sessão da Tarde”, e é um filme genérico de aventura o que vemos aqui, com a desvantagem que ele só vai funcionar na tela grande, pelo tanto de detalhes.  O uso de 3D só vale a pena na sequência inicial e na sequência final, as duas em forma de animação.
As escolhas de planos e edição e de movimentos de câmera poderiam ter sido ditadas pelo roteiro e pela história ao invés de terem sido ditadas por uma busca de estilo, ou por uma cópia de segunda categoria do estilo já consagrado, no qual todas as tomadas são calculadas para maior impacto visual do produtor Michael Bay.
Aqui, é a diferença entre um aluno de Cálculo III ou Estatística avançada e uma criança fazendo recuperação da terceira série pela segunda vez. Uma coisa em comum entre os dois é algo que o espectador vai levar desse filme – a total ignorância de qualquer tipo de lei da Física, mas vá lá.
Agora…. as Tartarugas…
O aspecto feroz de cada uma delas foi traduzido fielmente para o filme, mas elas ganharam mais personalidade, e isso é bom para a história. Rafael, o esquentado, disputando com Leonardo, o líder equilibrado e capaz apontado por Splinter. Donatello, que já no desenho animado era o mais ligado a tecnologia, nesse filme está um nerd de primeira, usando e abusando de gadgets dignos de figurar na Stark Tower, e o alívio cômico do filme, como sempre, Michelangelo, que junto com Donatello, são os únicos a terem uma personalidade similar a de adolescentes, a ponto de terem algumas piadas de gosto duvidoso, inclusive. O Mestre Splinter foi retratado IGUAL a um mestre antigo de filmes chineses de Kung Fu e Shao Lin, ele tem até os mesmos maneirismos do Pai Mei, de Kill Bill, com a voz de Tony Shalhoub, de Monk.
Ainda assim, a imensa confusão visual que temos na tela, impede que consigamos admirar os detalhes de cada uma delas. Eu queria ter visto mais das Tartarugas, mas é impossível com tanta movimentação.
Ainda que as Tartarugas estejam com um design complicado, o maior problema dessa área é a roupa do Destruidor, com tantos detalhes que é impossível ver mais do que lâminas e mais lâminas indo para todos os lados. Parece o que aconteceria se entregassem o design do vilão do filme a um garoto de 13 anos. Uma massa disforme de lâminas, barulho e metal, do tamanho de um tanque de guerra. Ainda assim, como um vilão impressionante, ele funciona muito bem.
A direção de arte de Neil Spisak (já conhecido pela trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimi) é um dos pontos altos do filme. Seus cenários, assinados com Debra Schutt, estão fenomenais, desde os laboratórios até o lar subterrâneo das Tartarugas, e isso vai agradar a quem quer ver uma bela tradução dos quadrinhos nas telas. O mesmo não pode ser dito do design de roupas de Sarah Edwards, que nivelou tudo ao mínimo denominador comum. O macacão amarelo, assinatura da April, foi diminuído para um casaco amarelo auto-limpante.
fonte:legiaodosherois.com.br

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